terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Afinal... Sem final.

"Vou deitar 22:30... Ok, vou dormir as 23:30. 24H. Ih, já são quase uma da manhã!" Bora escrever...

A internet provê facilidades, conectividade, informações em tempo real, mas de coisas que talvez não sejam assim tão reais. Bom, lá onde elas estão podem ser reais, mas aqui de onde estamos jogando nossa esperançosa pesquisa no google, nada é tão real. Até decidirmos agir e dar cabo dos planos...

Ah! Os planos... Tenho tantos deles. Se um curioso viesse vasculhar meu histórico do computador e fuçasse na minha pasta de favoritos do Chrome, perceberia o tanto de coisas que já me passaram pela cabeça. Mas só passaram mesmo, como passa uma brisa que bate e bagunça o cabelo, mas logo corremos para colocá-lo no lugar e o efeito do vento é anulado. As vezes deixa uns nós por um tempinho, nos lembrando que algo diferente, e ousado aconteceu, mas insistimos em apagar seus rastros depois, com um pente velho.

Cansada dos pentes velhos, do cabelo arrumado e da rua sem vento de todo dia. Eu sempre odiei vento, seja no verão ou inverno, na praia ou na metrópole, ou de um inofensivo ventilador e é essa a metáfora que encontrei agora para me ajudar a exprimir essa vontade louca que a maioria de nós tem de colocar sempre tudo de volta no mesmo lugar de antes. Mesmo que o lugar de antes possa não ser o melhor lugar, mesmo quando almejamos novos lugares, a dificuldade de largar o conhecido é tão primitiva, e corrói. Enche a mente de perguntas, pedidos de garantias, necessidade de previsões pro futuro que nem se sabe se haverá...
Pra que tantos planos? Pra que nenhum deles? Enquanto penso tanto nos motivos para as coisas, tudo e nada acontece. Não aproveito o tudo, não acrescento ao nada.

Me ensinaram no colégio que um corpo parado tende a permanecer parado. Taí, funciona mais do que 2+2=4. Mas seria melhor se eles tivessem ensinado como contornar essa lei. Ensinaram?! Vai ver faltei à aula. Eu e quase todo mundo que conheço.

O problema? Sabe, não é bem permanecer parado, reclamo da dificuldade em me mover como se estivesse presa e envolta por um monte de areia movediça, relutando e afundando... Quando na realidade o pior inimigo da ação, da minha ação, é a dúvida, o desconhecimento. Como ir, sem saber para onde se deseja caminhar? É muito mais fácil pegar impulso, abrir mão, enfrentar obstáculos e seguir em frente quando se sabe realmente para onde se deseja ir, quando ainda não sabemos, só o que podemos fazer é sonhar com todas as 1001 possibilidade e nos perguntar, porque ainda não estamos lá? Mas, será que é realmente para lá que eu queria ir?

Me parece fácil trilhar um caminho, porém quando se precisa estabelecer prioridades antes de dar o primeiro passo precisamos estar certos, mesmo que momentaneamente, de para onde desejamos ir. E meu problema com as prioridades é aceitar ter que escolher apenas um caminho, porque não 2? Ou mais? Ou um pedaço de cada um? Cada um exclui um outro, o que me faz pensar no que eu não desejo excluir, que por sua vez me faz ficar nem lá e nem aqui, pensando em tudo que eu queria ter e não tive, e em como fazer tudo que eu quero fazer e não faço.
Como lidar com uma mente contraditória? Gostos opostos? Coisas que não coadunam, atividades conflitantes? Quem nessa sociedade depressiva inventou que precisamos ser super experts em algo, para valer a pena nossa existência, o que quase sempre nos faz largar vários projetos nos quais poderíamos ser felizes praticantes medianos por escolha? E não apenas desesperados por dinheiro, fama ou sucesso, engajados em um projeto único para toda vida?

Afinal o que é a vida? Pra que vivê-la, ou desperdiçá-la, se preocupando em se enquadrar em expectativas que as vezes nem são suas, para assumir postos sociais que nem te agradam, e cumprir convenções para alegrar pessoas com as quais você nem minimamente se importa? Ou que até se importa, mas a maioria das convenções que conheço não mudaria drasticamente a vida de nenhum ente querido caso não fosse cumprida...
Nossa, que existência triste. As vezes me pergunto se ninguém mais percebe isso, se todas aquelas pessoas criticando qualquer um que faça uma vírgula diferente do convencional nunca tiveram vontade de sair da linha traçada pelo senso-comum e caminhar um dedinho mais em direção aos seus anseios mais puros e simples...

As vezes eu me pergunto várias coisas, quase sempre não tenho a resposta, ou se tenho acho meio maluca. E fico nesse eterno alternar entre me achar maluca, ou enxergar insanidade nas exigências sociais...

Afinal, o que é que estamos fazendo aqui?

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