sábado, 22 de fevereiro de 2014

Idéias e impressões descabidas (Ou, como você é burro.)

Eu participo de alguns grupos de leitores no facebook e afins, e em dois deles, ultimamente, me deparei com situações semelhantes sobre as quais me senti compelida a pensar, e que me incomodaram um pouco.

Posts em que leitores suscitavam dúvidas sobre determinadas passagens ou finais de livros, e outros que discordavam de opiniões sobre qual era o fato real -ou intenção do autor - por trás de algo implícito em determinada obra. E até aqueles mais clichês como discussões sobre livros "da moda" e como sua leitura colocaria o leitor em posições inferiores no escalão da sofisticação cultural... rs Pois bem, o que me incomodou de início é como as pessoas conseguem ser indelicadas quando encontram alguém que julgam estar em posições mentais menos privilegiadas que elas. Mas para isso nem precisava citar esses posts, vemos isso acontecer a todo momento nas mais variadas situações...

A reflexão que eu quero valorizar aqui é sobre pontos de vistas e referenciais.
Pense em algum texto, quadrinho ou situação "misteriosa" com o qual você já tenha se deparado, e tente se lembrar de quantas formas diferentes seus conhecidos puderam interpretá-los e até mesmo considere suas próprias mudanças de opinião a respeito. É notório que usamos nossas próprias experiências, o chamado conhecimento de mundo, para julgar e avaliar tudo que ocorre ao nosso redor, de forma consciente e principalmente inconsciente. Tudo aquilo que vivemos interfere! Então qual é a dificuldade em aceitar que alguém pode simplesmente "não ter enxergado"  algo que não estava escrito, mas que você presumiu tão brilhantemente que não pode ser verdade de a autora não quis dizê-lo? rs. Acho ok defendermos nosso ponto de vista, porém chamar alguém de burro, ou pior, que foi o que eu vi, e isso vir de pessoas que se denominam tão cultas e instruídas por serem leitoras, apenas por se deparar com pessoas que não imaginam a mesma coisa que você é algo que me fez refletir, não só sobre essas pessoas mas sobre mim também, sobre a falta de capacidade que ainda temos em lembrar que tentar julgar ou querer enquadrar a visão do outro precisaria de uma sensibilidade ímpar - para que pudéssemos incluir as variáveis possíveis... - e ainda assim seria inútil, já que ninguém pode enxergar por uma ótica que não conhece. E cada um só conhece com minúcia a sua própria, por vezes damos sorte de encontrar alguém que parece usar lentes parecidas com as nossas, mas é só mudar o assunto do tópico e nos surpreendemos com outro estranho de idéias e impressões descabidas.