quarta-feira, 6 de julho de 2016

Atavessando o oceano em uma banheira

A necessidade de tomar decisões nem sempre vem acompanhada de tumulto, falta de opções e barulho.

Aquela sensação já era familiar, uma brisa suave e o céu laranja ao entardecer... Poderia seguir para qualquer direção que quisesse, com rapidez ou lentidão, mas sabia que a calmaria poderia se tornar ressaca a qualquer tempo. Contemplava o oceano e suas infinitas possibilidades, se paralisava ao lembrar da fragilidade em estar cruzando-o em uma simples banheira. Como tantas vezes na vida, a facilidade em poder contabilizar as chances de fracasso a impedia de se afastar da praia, ainda que a ânsia por chegar em outros lugares dominasse sua mente diariamente.

Antes de se atrever a remar foi se deixando guiar pela correnteza e se lembrou de todas as vezes em que aquela sensação assustadora a impediu, sabia que a qualquer momento poderia cair no mar, poderia passar dias à deriva antes de encontrar o que procurava, poderia até mesmo chegar aonde nunca imaginou e, nunca se sabe, se iremos amar ou odiar o novo cais... Mas também esforçou-se para lembrar de todas as tempestades que passou em terra, sem dúvida com os pés em um chão firme mas nem por isso foi menos afetada pelos tufões, enchentes e destruições resultantes de cada tempestade.

Sempre se recuperou, e sabia que era forte por isso, porém não tanto a ponto de conseguir superar o medo de seguir adiante. Não ao ponto de decididamente agir por sua conta, e escolher se aventurar ao que queria viver, em vez de se deixar apenas levar pela correnteza para no final poder atribuir tudo ao destino, e lidar com as consequências de não ter escolhido nada como se isso por si só já não fosse uma escolha.

Não se sentia forte para abrir mão de suas decisões covardes e se responsabilizar por aquela viagem.
Até aquele momento.

Então se deu conta de que não escolher também sempre trouxe resultados, e nunca esteve mais segura assim. Isso a fez querer abrir mão de viver como vitima de fatalidades... Se for para arcar com responsabilidades que seja, ao menos, consequência de estar buscando tudo aqui que decidiu viver.

Olhou para o horizonte e depois de um longo suspiro encorajador, remou.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O convite

"Não me interessa o que você faz para viver. Quero saber o que você deseja ardentemente, e se você se atreve a sonhar em encontrar os desejos do seu coração.
Não me interessa quantos anos você tem. Quero saber se você se arriscaria a aparentar que é um tolo por amor, por seus sonhos, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa quais os planetas que estão em quadratura com a sua lua. Quero saber se você tocou o centro de sua própria tristeza, se você se tornou mais aberto por causa das traições da vida, ou se tornou murcho e fechado por medo das futuras mágoas.
Quero saber se você pode sentar-se com a dor, minha ou sua, sem se mexer para escondê-la, tentar diminuí-la ou tratá-la.
Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se você pode dançar loucamente e deixar que o êxtase tome conta de você dos pés à cabeça, sem a cautela de ser cuidadoso, de ser realista ou de lembrar das limitações de ser humano.
Não me interessa se a história que você está contando é verdadeira. Quero saber se você pode desapontar alguém para ser verdadeiro com você mesmo; se você pode suportar acusações de traição e não trair sua própria alma. Quero saber se você pode ser leal, e, portanto, confiável.
Quero saber se você pode ver a beleza mesmo quando o que vê não seja bonito todos os dias, e se você pode buscar a fonte de sua vida da presença de Deus.
Quero saber se você pode conviver com o fracasso, seu e meu, e ainda postar-se à beira de um lago e gritar à lua cheia prateada: “Sim”!
Não me interessa saber onde mora e quanto dinheiro você tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de tristeza e desespero, cansado e machucado até os ossos e fazer o que tem que ser feito para as crianças.
Não me interessa quem você é, como chegou até aqui. Quero saber se você vai se postar no meio do fogo comigo e não vai se encolher.
Não me interessa onde, ou o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que o segura por dentro quando tudo o mais fracassa. Quero saber se você pode ficar só consigo mesmo e se você verdadeiramente gosta da companhia que consegue nos momentos vazios"

(Oriah Mountain Dreamer)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Entropia.

Fazemos o que tem de ser feito, e a natureza sempre flui para onde deve seguir.

Nós temos escolha, pensamos, desistimos, nos preocupamos, repetimos... Já a natureza apenas flui, inevitavelmente. E nossa vida segue esse fluxo natural inescapável, apesar de toda e qualquer tentativa oposta aplicada diariamente por nós.

Resistência. Nós resistimos ao que é, pois temos a nossa disposição os mais variados cenários mentais do que deveria ser.
Deveria ser, mas não é. Mas deveria. Então eu queria... Eu quero. Logo, não posso me permitir fluir de acordo com essa maré de absurdos dissonantes com minhas projeções. E então me resta agir, espernear, pedir, mandar, solicitar, sofrer, questionar...

Fugir.
Fugimos do inevitável, e em vez de desenvolvermos meios para lidar com o que é, preferimos lutar pelo "e se". E não travamos uma batalha focada no presente/futuro, lutamos pelo "se" do passado. Desejamos tão ardentemente que as coisas não tivessem sido como foram, e não sejam como são, que nos esquecemos de guardar energia para as coisas que serão.

É apenas nos instantes do momento presente que podemos construir e alterar os caminhos da nossa vida. Não projetando para agir no futuro e nem lamentando o passado, apenas e tão somente agindo no presente.

A força desintegradora da natureza não permite que nada permaneça inalterado, não há sob a terra nada que seja fixo ou permanente pelo tempo de uma vida, de qualquer uma das criaturas que passam por aqui. O segredo, talvez, seja deixar que a força natural das coisas leve, derrube, desfaça e transforme tudo que há para ser transformado e permita que a energia de todas essas coisas seja reaproveitada ali adiante para construir mais situações, coisas e pessoas impermanentes.

Mudanças, resistências, permanências... Aceitação.
Só podemos lidar com aquilos que conhecemos, e para conhecer é preciso aceitar. Acolher a realidade para transformar.

As coisas são como são, as pessoas são quem elas são, e assim como só podemos oferecer aquilo que possuímos, tudo só pode ser da maneira que é.

*********************

"O passado já se foi, o futuro não existe, ainda deve vir. O presente é a única coisa que você tem, e por isso é um presente."

domingo, 31 de maio de 2015

Unguento

O tempo é como o vento, leva todos os lamentos...
Dos dias frios fica a saudade, dos quentes algum tormento.

Saudades do que vi, imaginei ou senti. Não apenas do que vivi.
Projetei cenários, simulei, cri.
Esperei, contruí, desmorei... Desejei, mas não parei por aqui.

Desconstrução, reformulação, alguma condescendência...
Um ou dois copos, vinho, suco ou água benta.
De toda forma o líquido faz movimentar a correnteza.

Correnteza dirigida pelo vento que, nem notei, já se encarregou da minha tristeza.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ornar.

Saltos ornamentais, cotidianos mentais.
Saltos e alguma perseguição.
Confusão e muita resignação.
Desconhecimento, emburrecimento e falta de treinamento.

Usar as palavras com a atenção que elas exigem, conhecê-las todas... Antônimos, sinônimos, acrônimos, atônitos...

Buscar o que já está ultrapassado, e reinventar. Atualizar, só que não. rs
Abreviar, atenuar, modificar até extenuar.

Quem não encontraria diversão em ler um dicionário?! Ou quem encontraria? Acho que encontrei.
Ainda há tanto a descobrir e tanto a esquecer. Imaginar, recriar, deduzir, amadurecer...

Um livro a acrescentar, tomar emprestado, devolver, não estragar. Expor, repetir, reutilizar, doar.

Ornou?
Ornei.
Adorei, vou comprar.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ano novo?

Tempo, tempo, não tenho tempo.
Atrasado ou adiantado... Só sei o que está marcado.

O tempo como medimos é invenção, artifício humano, pura ilusão.
Sem eletricidade provavelmente acompanharíamos o ritmo das galinhas, regulados por puro capricho da melatonina...

Estar sempre atarefado, agitado, regulado... Nem sempre é proveitoso.
A ocupação acalenta o ego, seu fruto é, muita vezes, um engodo.

Perder o tempo ou o ganhar, parece justo assim classificar.
Porém enquanto altercamos a vida está aí, o mais razoável, para mim, é apenas usar.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Idéias e impressões descabidas (Ou, como você é burro.)

Eu participo de alguns grupos de leitores no facebook e afins, e em dois deles, ultimamente, me deparei com situações semelhantes sobre as quais me senti compelida a pensar, e que me incomodaram um pouco.

Posts em que leitores suscitavam dúvidas sobre determinadas passagens ou finais de livros, e outros que discordavam de opiniões sobre qual era o fato real -ou intenção do autor - por trás de algo implícito em determinada obra. E até aqueles mais clichês como discussões sobre livros "da moda" e como sua leitura colocaria o leitor em posições inferiores no escalão da sofisticação cultural... rs Pois bem, o que me incomodou de início é como as pessoas conseguem ser indelicadas quando encontram alguém que julgam estar em posições mentais menos privilegiadas que elas. Mas para isso nem precisava citar esses posts, vemos isso acontecer a todo momento nas mais variadas situações...

A reflexão que eu quero valorizar aqui é sobre pontos de vistas e referenciais.
Pense em algum texto, quadrinho ou situação "misteriosa" com o qual você já tenha se deparado, e tente se lembrar de quantas formas diferentes seus conhecidos puderam interpretá-los e até mesmo considere suas próprias mudanças de opinião a respeito. É notório que usamos nossas próprias experiências, o chamado conhecimento de mundo, para julgar e avaliar tudo que ocorre ao nosso redor, de forma consciente e principalmente inconsciente. Tudo aquilo que vivemos interfere! Então qual é a dificuldade em aceitar que alguém pode simplesmente "não ter enxergado"  algo que não estava escrito, mas que você presumiu tão brilhantemente que não pode ser verdade de a autora não quis dizê-lo? rs. Acho ok defendermos nosso ponto de vista, porém chamar alguém de burro, ou pior, que foi o que eu vi, e isso vir de pessoas que se denominam tão cultas e instruídas por serem leitoras, apenas por se deparar com pessoas que não imaginam a mesma coisa que você é algo que me fez refletir, não só sobre essas pessoas mas sobre mim também, sobre a falta de capacidade que ainda temos em lembrar que tentar julgar ou querer enquadrar a visão do outro precisaria de uma sensibilidade ímpar - para que pudéssemos incluir as variáveis possíveis... - e ainda assim seria inútil, já que ninguém pode enxergar por uma ótica que não conhece. E cada um só conhece com minúcia a sua própria, por vezes damos sorte de encontrar alguém que parece usar lentes parecidas com as nossas, mas é só mudar o assunto do tópico e nos surpreendemos com outro estranho de idéias e impressões descabidas.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Resenha do livro "O lado bom da vida".

Tentativa sem spoiler - II.

Pat Peoples, personagem central, recém saído de uma instituição psiquiátrica. Tem em torno de 30 anos, relações pessoais conturbadas mas ainda preserva respeito e alta consideração por sua mãe, principalmente, que é quem mais o ajuda inicialmente depois de sua saída do "lugar ruim". Pat é apaixonado por sua esposa, apesar do tempo separados e está se tornando uma pessoa melhor para o momento da reconciliação que ele tanto aguarda. Viciado em exercícios físicos, e na leitura de livros que sua Nikki indica a seus alunos, sofre um pouco para se readaptar à vida em família e para tomar ciência de quanto tempo exatamente esteve ausente, internado e no "tempo separados". Apesar disso segue firme em seu propósito de buscar seu final feliz, algo em que acredita veementemente. E a partir disso seguimos o desenrolar de sua adaptação ao retorno a sua própria vida, contando com antigos e novos amigos, a ajuda de um terapeuta muito mais otimista que seu antigo psiquiatra, o desafio de se relacionar com um pai emocionalmente distante e lidar com o motivo que o fez se internar, há algum tempo.

~~
Respondendo a pergunta mais frequente que vejo por aí, esse não é um livro de auto ajuda. Talvez algumas pessoas o enxerguem assim antes de ler por causa do nome, e presuma que seja um livro que fique falando sobre como enxergar o lado bom das coisas... Mas não tem nada a ver com isso, esse livro é uma parte da história do personagem que descrevi acima, uma parte conturbada, confusa, dramática, bastante intensa, mas também divertida da recuperação psiquiátrica de Pat Peoples. Na verdade mostra como as coisas podem não ter somente o tão aclamado lado bom, com as boas expectativas preenchidas, e ainda assim "funcionar", é como acompanhar a história real de um vizinho, um primo...

Eu AMEI essa leitura, que foi minha primeira de 2014, pois na história tem muitos elementos que me agradam particularmente, como por exemplo várias narrativas relacionadas a futebol americano (embora eu seja torcedora do NY Giants, e os principais personagens sejam aficcionados pelo Philadelphia Eagles. rs), a escrita fluida do Matthew Quick, e principalmente o meu gosto em acompanhar os entraves e tumultos psicológicos de um personagem, algo que acontece em todo o livro.

Essa foi uma das leituras mais surpreendentes e agradáveis das minhas últimas aquisições, como acho que já deixei claro, comprei o livro em uma promoção sem grandes expectativas e deixei um mês parado, enquanto lia outro, mas depois de algumas horas acompanhando sua vida percebi que o Pat, com todos seus defeitos e a sua ânsia desmedida em agradar a Nikki que me irritou muito, se tornou meu melhor amigo (hahaha - sério.), e me deixou com ressaca literária por duas semanas - sem conseguir emplacar nem a leitura de um gibi-  então resolvi fazer essa resenha, para compartilhar algo que para mim é um pequeno tesouro. Aliás gostei tanto que quando retomava a leitura sempre relia o último capítulo (inteiro), mesmo lembrando de tudo, pelo simples prazer de reler e também para adiar um pouco o final.

Bom, eu ainda não vi o filme, quando assistir faço um  update aqui para uma breve comparação, e vou reler meu texto com bastante atenção para ver se não estou contando nada que estrague a leitura alheia, já que estou um tanto traumatizada com o último spoiler que sofri de outro livro.

Se resolveu ler o livro, boa leitura! E me conte o que achou depois.
Se não te convenci, simplesmente, repense. rs


~"Praticando ser gentil ao invés de ter razão."~

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Não é amanhã até eu acordar.

Desculpa.

Nunca fui adepto de já tratar o dia seguinte como hoje só por já ter passado da meia noite, ou então de desejar boa tarde só porque o relógio já está marcando meio dia e um. Às vezes a vida vai além das regras, quer dizer, ela sempre vai. Só que nem sempre a acompanhamos, preferimos ficar presos aos mandos da cartilha que alguém inventou...
Bom, não que seguir a cartilha tenha alguma problema... Se você não se importar, na verdade, não terá problema, mas também será muito gentil se não se importar que os outros tenham uma preferência diversa, e te desejem bom dia ao meio dia e quinze minutos, ou façam planos para o amanhã, que na verdade é hoje, durante a madrugada.

Entre ser um clichê ambulante que não diferencia minutos entre minhas falas, ou outro que corrige sentenças baseado em regras sociais de cumprimentos... Prefiro ser o clichê que se comporta de forma instintiva, que faz as coisas da forma primitiva que sua mente manda, no momento exato em que as palavras se formam em seus pensamentos.

Os ajustes sociais eu (não) deixo para depois.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Afinal... Sem final.

"Vou deitar 22:30... Ok, vou dormir as 23:30. 24H. Ih, já são quase uma da manhã!" Bora escrever...

A internet provê facilidades, conectividade, informações em tempo real, mas de coisas que talvez não sejam assim tão reais. Bom, lá onde elas estão podem ser reais, mas aqui de onde estamos jogando nossa esperançosa pesquisa no google, nada é tão real. Até decidirmos agir e dar cabo dos planos...

Ah! Os planos... Tenho tantos deles. Se um curioso viesse vasculhar meu histórico do computador e fuçasse na minha pasta de favoritos do Chrome, perceberia o tanto de coisas que já me passaram pela cabeça. Mas só passaram mesmo, como passa uma brisa que bate e bagunça o cabelo, mas logo corremos para colocá-lo no lugar e o efeito do vento é anulado. As vezes deixa uns nós por um tempinho, nos lembrando que algo diferente, e ousado aconteceu, mas insistimos em apagar seus rastros depois, com um pente velho.

Cansada dos pentes velhos, do cabelo arrumado e da rua sem vento de todo dia. Eu sempre odiei vento, seja no verão ou inverno, na praia ou na metrópole, ou de um inofensivo ventilador e é essa a metáfora que encontrei agora para me ajudar a exprimir essa vontade louca que a maioria de nós tem de colocar sempre tudo de volta no mesmo lugar de antes. Mesmo que o lugar de antes possa não ser o melhor lugar, mesmo quando almejamos novos lugares, a dificuldade de largar o conhecido é tão primitiva, e corrói. Enche a mente de perguntas, pedidos de garantias, necessidade de previsões pro futuro que nem se sabe se haverá...
Pra que tantos planos? Pra que nenhum deles? Enquanto penso tanto nos motivos para as coisas, tudo e nada acontece. Não aproveito o tudo, não acrescento ao nada.

Me ensinaram no colégio que um corpo parado tende a permanecer parado. Taí, funciona mais do que 2+2=4. Mas seria melhor se eles tivessem ensinado como contornar essa lei. Ensinaram?! Vai ver faltei à aula. Eu e quase todo mundo que conheço.

O problema? Sabe, não é bem permanecer parado, reclamo da dificuldade em me mover como se estivesse presa e envolta por um monte de areia movediça, relutando e afundando... Quando na realidade o pior inimigo da ação, da minha ação, é a dúvida, o desconhecimento. Como ir, sem saber para onde se deseja caminhar? É muito mais fácil pegar impulso, abrir mão, enfrentar obstáculos e seguir em frente quando se sabe realmente para onde se deseja ir, quando ainda não sabemos, só o que podemos fazer é sonhar com todas as 1001 possibilidade e nos perguntar, porque ainda não estamos lá? Mas, será que é realmente para lá que eu queria ir?

Me parece fácil trilhar um caminho, porém quando se precisa estabelecer prioridades antes de dar o primeiro passo precisamos estar certos, mesmo que momentaneamente, de para onde desejamos ir. E meu problema com as prioridades é aceitar ter que escolher apenas um caminho, porque não 2? Ou mais? Ou um pedaço de cada um? Cada um exclui um outro, o que me faz pensar no que eu não desejo excluir, que por sua vez me faz ficar nem lá e nem aqui, pensando em tudo que eu queria ter e não tive, e em como fazer tudo que eu quero fazer e não faço.
Como lidar com uma mente contraditória? Gostos opostos? Coisas que não coadunam, atividades conflitantes? Quem nessa sociedade depressiva inventou que precisamos ser super experts em algo, para valer a pena nossa existência, o que quase sempre nos faz largar vários projetos nos quais poderíamos ser felizes praticantes medianos por escolha? E não apenas desesperados por dinheiro, fama ou sucesso, engajados em um projeto único para toda vida?

Afinal o que é a vida? Pra que vivê-la, ou desperdiçá-la, se preocupando em se enquadrar em expectativas que as vezes nem são suas, para assumir postos sociais que nem te agradam, e cumprir convenções para alegrar pessoas com as quais você nem minimamente se importa? Ou que até se importa, mas a maioria das convenções que conheço não mudaria drasticamente a vida de nenhum ente querido caso não fosse cumprida...
Nossa, que existência triste. As vezes me pergunto se ninguém mais percebe isso, se todas aquelas pessoas criticando qualquer um que faça uma vírgula diferente do convencional nunca tiveram vontade de sair da linha traçada pelo senso-comum e caminhar um dedinho mais em direção aos seus anseios mais puros e simples...

As vezes eu me pergunto várias coisas, quase sempre não tenho a resposta, ou se tenho acho meio maluca. E fico nesse eterno alternar entre me achar maluca, ou enxergar insanidade nas exigências sociais...

Afinal, o que é que estamos fazendo aqui?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Amor de amigo.

Hoje é aniversário de uma pessoa muito especial... Por isso resolvi postar aqui! Assim posso escrever bastante; Muah! Afinal nada melhor do que escolher um dia especial para expressar nosso carinho por alguém! Mas não acostuma, é só hoje =P

Já liguei, cantei o hit de aniversário remixado, e creio que tenho expressado todo meu apreço por essa pequena pessoinha, de grande coração, durante todos esses anos de amizade. Nem parecia que ia chegar a tanto! E no entanto, 4 anos já se passaram. Em dias de 24H nem parece muito, mas se for contar tudo pelo que já passamos vira uma eternidade! Anos em que pudemos nos divertir muito, chorar muito, sonhar e planejar... E tb mudar muito! Mudanças importantes e significativas que, apesar de qualquer pesar, não mudaram em nada a essência de nossa amizade, do sentimento que nos mantém tão próximas, mesmo fisicamente distantes.
Em outros tempos eu te veria hoje mesmo que compulsoriamente, na faculdade. Mas não vai acontecer...rs As vezes nossas escolhas envolvem mudar mais coisas do que gostaríamos, como por exemplo perder a convivência com uma das pessoas com quem eu mais amo estar. E isso poderia ser ruim, mas até que é bom (WHAT?!) Tá, é péssimo. hahahaha Mas cada pessoa que encontramos nos ensina coisas diferentes, e com minha gueixa de portugal aprendi melhor como se dão as dinâmicas da vida adulta, e das amizades além do conforto de uma vida desocupada de adolescente rs. E agradeço por isso...

Agradeço por poder dividir com você esse amor de amiga, que dorme junto, planeja junto, mas as vezes realiza separado e mesmo assim arruma um jeito de se encontrar em alguma curva em meio a tantos planos, para partilhar as conquistas. Um amor que tem que dividir, afinal uma pessoa especial assim não poderia "ser" só de uma pessoa, tem que ganhar o mundo para iluminar a vida de mais pessoas. Uma amizade que até inventa um parentesco, só para tentar contestar fisicamente uma ligação que o coração conhece desde sempre. Desentendimentos gerados por TPM, discordâncias filosóficas, ciúmes, besteiras casuais... E que no final das contas só mostra como os melhores relacionamentos além de serem fruto de muita similaridade também trazem muitas disparidades. Diferenças que até geram mais confiança, pq você sabe que no final das contas depois da outra pessoa ir lá ganhar o mundo para fazer todas aquelas coisas das quais você não entende a necessidade de serem feitas, vai voltar e dividir com você tudo que foi descoberto e vivido. E as vezes até te arrasta junto para umas aventuras que por mais que possam ser estranhas ~ou não~ SEMPRE rendem boas histórias.

Acho até que eu tenho mais a dizer, mas daí me lembro de tudo que passamos juntas, as tardes de estudo, os planejamentos financeiros, as bebedeiras descuidadas, as desilusões, os mimimi's, comilanças, os apuros e as dancinhas pelos corredores... e percebo que talvez eu nem precisasse falar nada, mais importante do que falar é saber o que tudo isso significa... Mas falei mesmo assim! Pq ser prolixa é a alma do negócio dessa amizade. hahahaha


Resumindo? O aniversário é seu, mas a alegria é nossa! Irmã 




sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O diferente.

Sabe, já fui muito preconceituosa.
Não, nunca fui fisicamente violenta, ou praticante de bullying (exceto no primário, confesso), digo 'muito' pq na minha mente se passavam diversos tipos de incompreensões e questionamentos quanto ao comportamento alheio. E com certeza isso refletia em minhas ações e relações pessoais, mesmo que minimamente. E nem me sinto capaz de afirmar que não sou mais pq acho que até o fim da vida somos assombrados pela tentação de repudiar coisas diferentes ou  até mesmo coisas que nem sabemos o que são, em um primeiro momento, mas acho que cabe a nós lidarmos com isso e lutarmos contra esses resquícios de preconceito para retirarmos nosso cérebro do automático. Afinal, em certo momento quando me preocupei em refletir sobre o motivo pelo qual eu pensava de determinada forma contra coisas "incomuns" para mim até então, não encontrei fundamento para ser contra nada disso. E até hoje não ouvi um argumento convincente de qualquer pessoas preconceituosa, seja lá qual fosse seu objeto de preconceito. E se olharmos para fatos históricos veremos como preconceitos extremamente inflamados de uma época são motivos de risos hoje.

Acho até natural, principalmente pela sociedade em que estamos inseridos, que em nossa fase de formação/adolescência tenhamos uma postura mais radical e uma certa estranheza a comportamentos que fujam aos padrões da maioria... Mas o bom é termos liberdade e instruções para que nessa fase possamos também começar a perceber o quanto essas diferenças são normais, naturais, e por mais que nos confrontemos com práticas, preferências e atitudes que não combinem com as nossas é importante perceber que não podemos e nem devemos nos tomar como padrão para nada. É necessário que comecemos a refletir, não dá pra continuar repetindo tudo que ouvimos sem pensar, como se ainda tivéssemos 5 anos de idade e precisássemos de nossos pais para informar o que é bom e ruim. As vezes ainda agimos como se devêssemos sempre ser contra ou a favor de algo, mas acho que no tocante ao ser humano, o pensamento mais correto seria "Viva e deixe viver". Claro que por vezes temos que nos posicionar a favor de algo para impedir que um grupo, por exemplo, seja excluído e censurado sem motivo, mas se não fosse o preconceito, seria apenas deixar as coisas serem como são e pronto. E aí que vou além, chega uma hora que além de perceber tudo isso, nos damos conta de que nós nem temos NADA a ver com a vida e nem com as decisões dos outros, então, pq se importar? Pq fazer disso uma batalha, uma discussão?!

Por incrível que pareça vivemos em uma sociedade que ainda faz polêmica com A VIDA DOS OUTROS. E com relação a banalidades que não interferem na saúde ou segurança do coletivo, de forma alguma (para que ainda pudesse ter uma desculpa). Eu realmente não sei pq tendemos a ter essa sensação de que os outros nos devem satisfação alguma, ou de achar que deveriam regular suas vidas e ações baseados no que deixará a vida da maioria mais confortável, querer que todos vivam preocupados em não fazer algo que vá "constranger" os outros. Peraí, será que não sou eu que deveria parar de cuidar tanto da vida dos outros, e parar de me "constranger" com coisas banais, que competem somente aos outros e que não interferem em nada na minha vida? Uma roupa diferente na rua, uma mulher com menos roupa, um travesti 'travestido', um cabelo colorido, uma mulher careca, uma velhinha de cabelo azul, muitas tatuagens e piercings, casais que cultivam relacionamentos 'abertos', demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo, seja um casal ou não?... Ou qualquer situação "pouco comum" que se assemelhe a essas e das quais as pessoas perdem um precioso tempo de suas vidas para ficar comentando sobre?

Sim, esse texto foi inspirado principalmente nessa história de proporções ridículas sobre o selinho do Emerson 'Sheik', jogador do corinthians, time para o qual eu torço. Não citei isso no começo pois o texto não é apenas sobre isso, mas foi incitado por esse acontecimento, à medida que eu fiquei incrédula ao ver escancarado nas redes sociais e conversas de bar como nossa sociedade ainda é machista, e mais, em ver  como as pessoas acham que tem o direito de cuidar da vida dos outros. "Ah mas ele é uma celebridade"(ou algo assim), sim ele é, mas a menos que ele tome alguma atitude em campo que prejudique seu time (afinal ele é jogador, nós somos torcedores, então o que nos compete "regular" é seu futebol), não vejo pq o cidadão sair de casa para protestar contra o que o cara faz em sua vida pessoal. E na boa, nem vou me estender muito sobre isso, pois sabemos que isso acontece com a vida de pessoas que não são celebridades e por isso em teoria não deveria "prestar contas" de sua vida para os fãs, ou seja lá como denominar essas pessoas. rs. Preconceito, homofobia, mascarados de "ele representa um time, isso ou aquilo". Sabe, vejo julgamentos como esse acontecerem diariamente entre colegas de trabalho, vizinhos, parentes, desconhecidos nas ruas e baladas. Então retorno ao meu pensamento inicial, pq achamos que temos o direito de regular a vida e atitude das pessoas? Pq o ser humano insiste em cultivar essa necessidade medíocre? Medir a personalidade alheia por um aspecto de suas vidas e mais, pq PERDEMOS tempo com isso?

Caramba.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Um desejo dentre muitos...

Tenho uma lista crescente de livros que pretendo comprar/ler. Sim, especifiquei ler e comprar porque nem sempre lemos o que compramos, ou compramos o que lemos (bibliotecas S2), ou sequer compramos ou lemos o que gostaríamos. E eu tenho uma mania que as vezes me obriga a adquirir certos livros, não é suficiente emprestar e ler, preciso ter. Então algumas leituras são procrastinadas até que eu tenha capital para investir na minha "mania". hahahaha

E na verdade passei aqui só pra registrar essa minha atual agonia. Há meses querendo adquirir "A paixão segundo G.H.", principalmente, entre outros. Estou desde o começo do ano tentando terminar "O mundo assombrado pelos demônios" e "Curso de Criminologia", e olha que são leituras que me interessam, mas devido a provas e outros compromissos ta difícil terminar...  Embora nesse meio tempo tenha lido outro livro, que gostei muito "O cérebro nosso de cada dia" da Suzana Herculano Houzel, posso dizer que ando meio em falta com meus objetivos pessoais de leitura.

E passeando por blogs de resenhas de livros, senti uma ligeira vontade de começar a fazer resenhas, como uma forma de finalizar melhor minhas leituras, gravar minhas impressões para reler em algum tempo... Algo assim. E também para ter mais periodicidade de posts no blog, escrever aqui é uma tarefa que me agrada muito, mesmo não sendo algo que eu divulgue muito, pq meu prazer maior está em escrever apenas, não tanto em alguém ler. *Estranha* rs Mas se ultimamente já está difícil apenas terminar de ler livros que já tenho, imagine ler e resenhar?? É... Vou amadurecendo essa ideia, e quem sabe em um futuro próximo. =)

domingo, 31 de março de 2013

Igual-Desigual


Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.
(Drummond)

sábado, 16 de março de 2013

O nosso reflexo.

"O mundo é um reflexo do que você é." Ou alguma coisa assim, diz o ditado.

Há um tempo eu achava isso completamente absurdo, afinal, as coisas são como são. Ué!
Depois de um tempo percebi que dependendo do olho que analisa, uma mesma situação pode ser percebida de milhares de formas distintas. E aí talvez o ditado estivesse certo... Mas apesar disso as coisas ainda são o que são, então talvez com um pouco de esforço e direcionamento as coisas comecem a parecer o que realmente são.

Daí cheguei a conclusão de um meio termo. Acho que está bom assim! Pelo menos eu fiquei satisfeita...

Afinal, de que outra forma poderíamos explicar o fato de como nosso "humor" (estado de espírito, energia, ou como queira chamar) afeta a forma como vemos o mundo, o nosso e o dos outros.
Em um dia tudo parece absolutamente lindo, fácil, conveniente, simplesmente flui. Temos boas expectativas e sem nos importar com as chances matemáticas podemos facilmente apostar que tudo dará certo e o que está ruim ou mediano irá melhorar!
Daí, de repente, o mundo é um caos. Perde-se a fé na humanidade, fica óbvio que tudo está indo por água abaixo, finanças, política, relações inter-pessoais, a coitada da mãe natureza... Semana passada, ou semana que vem (quem sabe?!) tudo parecia promissor, mas, sei lá, abrimos nossos olhos e tudo parece estranho, ruim, rude, desmotivador...
E temos até aqueles dias "tanto faz". Sabe? Não me importo mesmo. É fofo? Dane-se. É ruim? Pff.
Não sei se dará certo?? Deixa estar, que o que for pra ser vigora. É... Entre outras milhares de nuances intermediárias de humor.

Eu mesma, se fosse escrever todo dia  neste blog, iria de 0-100 em uma escala de amor-ódio, passando por todos os sentimentos bons e ruins, sobre milhares de assuntos fossem eles semelhantes ou não. Descontando o fato de poder mudar de opinião devido ao conhecimento de novos fatos e variáveis sobre algo, o que hoje parece ruim amanhã pode não ser tanto, e vice-versa. Cá entre nos quem nunca passou por esse experiência?

Então talvez seja errado mesmo culpar apenas nós mesmos pela forma como vemos o mundo, porém devemos atentar ao fato de que conseguimos incrivelmente moldar os outros e qualquer situação para que se acomode em nossa mente como melhor nos convém. Difícil analisar os outros, pior ainda analisar, com sinceridade, a nós mesmos... Talvez esse seja um impasse.

Chego mais uma vez no meio termo. Uma boa resposta, satisfatória e quase inofensiva aos ouvidos... Sei que não devo me acomodar a ela, mas ela tem me agradado bastante ultimamente.

E aí o texto termina exatamente como começou. Confuso. Talvez não para todos, vai saber qual o seu estado de espírito hoje?