terça-feira, 12 de abril de 2011

Cansei de pensar em você.
Fisicamente. Sinto dores no peito como se tivesse corrido toda a noite atrás do caminhão de lixo na tentativa desesperada de tirar de lá algo de muito valor que, por engano, joguei fora. Mas quando cheguei perto de alcançá-lo, esqueci do que se tratava.
Cansei de me ver através dos seus olhos.
Cobradores.
Você nunca me acolheu. Mesmo nos meus momentos mais frágeis, em que lágrimas de impotência ou de genuíno arrependimento rolavam pelo meu rosto, você não me colocou em seu peito. Sua primeira e única reação era me passar sermão—como um pai ríspido. Tudo o que eu precisava era carinho.Implorava. Do meu jeito. O único que, até então, conhecia.
Cansei de me compadecer de mim mesma.
Nos últimos tempos, fui uma versão novelesca do que costumava ser. E odiava. Mesmo com tantas sinceras tentativas, não aprendi a dar amor a você. Por mais que se engane que sim, você não aprendeu a me dar amor. Juntos, poderíamos ter sido muito, felizes. Mas, antes, chegamos a uma bifurcação. Em vez de enxergamos duas possibilidades (talvez promissoras) de caminho, amaldiçoamos termos perdido tempo em uma rota inútil.
Cansei de pensar que poderia ter sido diferente.
Se pudesse, teria sido. Se você quisesse, teria sido. Talvez eu não estivesse a altura do seu sonho. Talvez eu fosse pouco. Hoje sei que sou muito mais do que você jamais sonhou.
Cansei de esquadrinhar se você me substituirá facilmente. Ou se já o fez.
Não vou permitir cair nesse buraco sem fundo de me sentir invisível, preterível, por não ser mais olhada por você.
Cansei de estar só.
Mesmo já estando assim há tanto, sua ausência física  trouxe a dura certeza do abandono a que me submeti. A dura certeza de quanto preciso aprender a me doar. A dura certeza de que morro de medo da solidão.
Cansei de pensar em tudo de bom.
Nossas viagens. As pousadas, as camas, os cafés da manhã.
Nossas risadas em mesas de bares.
Seus presentes fora de hora.
Nossas noites na lareira.
Nossa casa tão repleta de nós que, dia-a-dia, se desfaz. Desaparece. Inexiste. Como nós.
Cansei de amá-lo  


(Ailin Aleixo)

domingo, 3 de abril de 2011

Um instante...

Certas sensações não duram mais que isso. Mas são facilmente reconhecidas. E sempre me pergunto como.
Certos sentimentos são frutos de um olhar, uma palavra, um gesto. E eu também me pergunto como.

E eu me pergunto várias coisas...

Noites em claro, momentos dispersos. Sempre analisando.
O responsável pelo meu pensamento vago é sempre um ponto de interrogação, não importando as palavras que se formaram antes dele.

E creio já ter respondido algumas questões. 
Dúvidas que outrora pareciam grandes mistérios indissolúveis, hoje são apenas mais uma lição.

O que antes era exclamação, vira interrogação, e vice-versa.
O meu problema é, percebo agora, que quando encontro as respostas, muitas vezes não sei bem o que fazer com elas.

Mas meu problema se agravou, mesmo, quando um ponto qualquer, virou reticências.

sexta-feira, 1 de abril de 2011