sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O diferente.

Sabe, já fui muito preconceituosa.
Não, nunca fui fisicamente violenta, ou praticante de bullying (exceto no primário, confesso), digo 'muito' pq na minha mente se passavam diversos tipos de incompreensões e questionamentos quanto ao comportamento alheio. E com certeza isso refletia em minhas ações e relações pessoais, mesmo que minimamente. E nem me sinto capaz de afirmar que não sou mais pq acho que até o fim da vida somos assombrados pela tentação de repudiar coisas diferentes ou  até mesmo coisas que nem sabemos o que são, em um primeiro momento, mas acho que cabe a nós lidarmos com isso e lutarmos contra esses resquícios de preconceito para retirarmos nosso cérebro do automático. Afinal, em certo momento quando me preocupei em refletir sobre o motivo pelo qual eu pensava de determinada forma contra coisas "incomuns" para mim até então, não encontrei fundamento para ser contra nada disso. E até hoje não ouvi um argumento convincente de qualquer pessoas preconceituosa, seja lá qual fosse seu objeto de preconceito. E se olharmos para fatos históricos veremos como preconceitos extremamente inflamados de uma época são motivos de risos hoje.

Acho até natural, principalmente pela sociedade em que estamos inseridos, que em nossa fase de formação/adolescência tenhamos uma postura mais radical e uma certa estranheza a comportamentos que fujam aos padrões da maioria... Mas o bom é termos liberdade e instruções para que nessa fase possamos também começar a perceber o quanto essas diferenças são normais, naturais, e por mais que nos confrontemos com práticas, preferências e atitudes que não combinem com as nossas é importante perceber que não podemos e nem devemos nos tomar como padrão para nada. É necessário que comecemos a refletir, não dá pra continuar repetindo tudo que ouvimos sem pensar, como se ainda tivéssemos 5 anos de idade e precisássemos de nossos pais para informar o que é bom e ruim. As vezes ainda agimos como se devêssemos sempre ser contra ou a favor de algo, mas acho que no tocante ao ser humano, o pensamento mais correto seria "Viva e deixe viver". Claro que por vezes temos que nos posicionar a favor de algo para impedir que um grupo, por exemplo, seja excluído e censurado sem motivo, mas se não fosse o preconceito, seria apenas deixar as coisas serem como são e pronto. E aí que vou além, chega uma hora que além de perceber tudo isso, nos damos conta de que nós nem temos NADA a ver com a vida e nem com as decisões dos outros, então, pq se importar? Pq fazer disso uma batalha, uma discussão?!

Por incrível que pareça vivemos em uma sociedade que ainda faz polêmica com A VIDA DOS OUTROS. E com relação a banalidades que não interferem na saúde ou segurança do coletivo, de forma alguma (para que ainda pudesse ter uma desculpa). Eu realmente não sei pq tendemos a ter essa sensação de que os outros nos devem satisfação alguma, ou de achar que deveriam regular suas vidas e ações baseados no que deixará a vida da maioria mais confortável, querer que todos vivam preocupados em não fazer algo que vá "constranger" os outros. Peraí, será que não sou eu que deveria parar de cuidar tanto da vida dos outros, e parar de me "constranger" com coisas banais, que competem somente aos outros e que não interferem em nada na minha vida? Uma roupa diferente na rua, uma mulher com menos roupa, um travesti 'travestido', um cabelo colorido, uma mulher careca, uma velhinha de cabelo azul, muitas tatuagens e piercings, casais que cultivam relacionamentos 'abertos', demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo, seja um casal ou não?... Ou qualquer situação "pouco comum" que se assemelhe a essas e das quais as pessoas perdem um precioso tempo de suas vidas para ficar comentando sobre?

Sim, esse texto foi inspirado principalmente nessa história de proporções ridículas sobre o selinho do Emerson 'Sheik', jogador do corinthians, time para o qual eu torço. Não citei isso no começo pois o texto não é apenas sobre isso, mas foi incitado por esse acontecimento, à medida que eu fiquei incrédula ao ver escancarado nas redes sociais e conversas de bar como nossa sociedade ainda é machista, e mais, em ver  como as pessoas acham que tem o direito de cuidar da vida dos outros. "Ah mas ele é uma celebridade"(ou algo assim), sim ele é, mas a menos que ele tome alguma atitude em campo que prejudique seu time (afinal ele é jogador, nós somos torcedores, então o que nos compete "regular" é seu futebol), não vejo pq o cidadão sair de casa para protestar contra o que o cara faz em sua vida pessoal. E na boa, nem vou me estender muito sobre isso, pois sabemos que isso acontece com a vida de pessoas que não são celebridades e por isso em teoria não deveria "prestar contas" de sua vida para os fãs, ou seja lá como denominar essas pessoas. rs. Preconceito, homofobia, mascarados de "ele representa um time, isso ou aquilo". Sabe, vejo julgamentos como esse acontecerem diariamente entre colegas de trabalho, vizinhos, parentes, desconhecidos nas ruas e baladas. Então retorno ao meu pensamento inicial, pq achamos que temos o direito de regular a vida e atitude das pessoas? Pq o ser humano insiste em cultivar essa necessidade medíocre? Medir a personalidade alheia por um aspecto de suas vidas e mais, pq PERDEMOS tempo com isso?

Caramba.