domingo, 13 de janeiro de 2013

Amor à profissão.

É preciso amar o que se faz? Acredito que sim. Porém não sei se ainda acredito que existe apenas um único caminho, como as revistas e palestras tanto vendem hoje em dia. Ou o "ame o que faz e não precisará trabalhar um só dia na vida", como se em uma profissão pautada no amor não tivessem obstáculos, e momentos de dificuldade.

E não, não estou dizendo que quem tem uma profissão desejada, um sonho de infância, o que seja, deveria desistir ou mudar apenas por dinheiro ou outra conveniência qualquer. Se é aquilo que a pessoa deseja e ela tem meios de obter, e se vê sendo feliz vivendo aquilo diariamente, com certeza diria que é o que a pessoa em questão deveria fazer. Só que algumas vezes vejo pessoas buscando realizar uma grande paixão na profissão, com algo que não combina com suas habilidades (por exemplo desperdiçar grandes dons que a fariam arrasar em outras profissões, pq decidiu que tinha que ser médica mesmo tenho paúra de sangue, dó de cortar pacientes, nojo das bactérias alheias...), que não combina com o seu estilo de vida, ou o que almeja futuramente para si, mas por essa nossa cultura de acreditar que só é feliz quem trabalha por amor, a pessoa tem medo de se arriscar em outra coisa e morrer infeliz, só que ai morre sem ter tempo de ter tido a família que desejava, ou ter feito as viagens que gostaria (por falta de grana e/ou tempo) e por excesso de stress. E tudo isso porque? Por ter escolhido uma profissão que não podia conciliar com seus outros interesses, ou que exigia demais e a levou ao esgotamento... Enfim, dei uma exagerada no exemplo mas acho que me fiz entender, apenas sou contra essa visão romântica e idealizada que algumas pessoas tem sobre o campo profissional.

Sei lá. Vai ver... Trabalho é apenas trabalho! Uma forma que temos para ganhar dinheiro, para depois trocá-lo por coisas que necessitamos para sobreviver e outras que queremos apenas por prazer.
Claro que não sou nem louca de vir aqui e dizer que vale trabalhar em algo, e de uma forma, que te deprima apenas em troca de dinheiro e alguma estabilidade. Mas as vezes parece que as pessoas acham que apenas aquilo que é objeto de nossa paixão única é que nos faria realizados profissionalmente. Acho que existe um meio termo, ou algo parecido. E discordo de início com essa história de 'única paixão' por ser uma pessoa que adora inúmeras coisas, e já tive problema com isso logo ao sair do colégio pensando que se eu fosse, necessariamente, cursar faculdade para aprender sobre tudo que eu gostaria, aos 40 eu ainda seria apenas universitária. rs
Óbvio que eu tenho um ramo de preferência, e em determinado momento decidi que deveria me focar em algo de minha predileção, para me guiar a um caminho de realização e grana rs, e deixar que outros interesses coexistissem com minha carreira mas como coadjuvantes, como hobbies e cursos apenas para realização pessoal. Mas para isso tive que escolher algo que possibilitasse que esses outros interesses continuassem como parte da minha vida, pq seria demais abrir mão de tudo que eu gosto, em troca de apenas uma coisa.

E digo que, atualmente, depois de algumas experiências universitárias e profissionais, é que passei a enxergar essa questão de forma diferente. E comecei a perceber não só a diversidade de preferências entre as pessoas, como a diversidade de opções que temos para sermos felizes, e não fazemos uso. Como aqueles que em vez de uma carreira (universidade, doutorado, dominar uma área do conhecimento), prefere se focar em concursos públicos, claro que em alguma posição no mínimo agradável e não em uma odiosa, e daí desfrutar de suas paixões nas suas horas vagas... E que muitas vezes enxergamos como estagnados, que trocam a realização profissional por um punhado de estabilidade, sem notar que as vezes aquela é a definição de realização profissional da pessoa.

Daí depois de tudo isso volto a pergunta no título, e daí inauguro minha mais nova opinião, em primeira mão aqui no blog, de que acredito que não apenas podemos fazer de uma paixão nossa profissão, mas também da nossa profissão uma paixão.


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