quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Hey... Minha grama é mais verde. Sério!

Ultimamente parece que as pessoas se importam mais com a opinião dos outros do que com sua própria satisfação.

Não importa se eu estou alcançando meus objetivos, se obtive sucesso profissional, se tenho uma relacionamento bacana... É indiferente se minha vida em família é serena e amorosa (ou se ao menos me esforço para isso porque, convenhamos, algumas famílias não são nada fáceis.) O importante é fazer parecer para todos que eu estou satisfeita. Alcançando objetivos, sendo a mais feliz do mundo, a mais querida, a mais engraçada, a mais bonita. Mesmo que para isso eu precise de uma sequência de 384 fotos para conseguir escolher uma para o perfil do facebook.

Cadê a espontaneidade? Cade a apreciação pelo simples, as boas lembranças que deveriam ser registradas em fotos, as amizades verdadeiras...

As redes sociais fazem parte do nosso cotidiano, como bolinhas de gude e geladinhos fizeram parte da infância da minha geração.
Não dá pra se esquivar totalmente delas, porém não se pode resumir a vida a isso.

E simplesmente não consigo me acostumar com toda a hipocrisia atual. Na vida real, e na virtual, principalmente. Quer dizer, eu convivo com isso e claro, por mais que eu tente evitá-la, faz parte da minha natureza também. Mas deveríamos ir contra ela, e não aceitar um cotidiano cada vez mais hipócrita como se fosse natural. Como se fosse saudável.
Até acho interessante o fato de podermos compartilhar tantas coisas sem nem precisar sair de casa, e até com os amigos fisicamente mais distantes. E toda essa coisa da nova realidade virtual. Porém não acho saudável que ocorra toda essa exposição de nossas 'supostas vidas', virtualmente, ao mesmo passo que alguns se isolam  absurdamente, em suas 'vidas reais'.

O facebook virou uma luta de egos, o twitter uma obrigação de termos sempre uma frase inteligente e engraçada para twitar (e para serem copiadas sem créditos pelos usuários do face, que precisam levantar a moral com seus 678 amigos, dos quais 502 realmente nem tem real relevância para sua vida pessoal...) Isso sem citar as muitas outras formas de interação virtual que eu não conheço tão bem. Será que minha indignação se deve ao fato de eu não ser tão conectada?
Não sei. Mas ainda prefiro me importar mais com a opinião dos meus amigos reais, do que com a dos meus seguidores no twitter. Ainda prefiro frequentar festas e reuniões por prazer e não para poder conseguir mais comentários nas minhas fotos ou mais 'curtir' no meu status costumeiro de todo fds de "Que noite foi eeeeessa?? Vivendo a vida intensamente - com fulano e outras 12 pessoas em balada frenética."

Vejam, em absoluto sou contra nada disso que citei. Adoro sair, me divertir sozinha ou acompanhada dos amigos... Rolês de bicicleta, bebedeiras, churrascos, postar fotos disso tudo, piadas e posts sérios no face. Afinal isso tudo é meio como ter um diário e álbum de fotos que todos meus amigos tenham acesso. E é pra ser divertido, e leve. E não para provar nada para ninguém, como muitos fazem. Não precisamos assinar atestado de felicidade, ou não deveríamos precisar.

Para ocultar a suas dores, as pessoas querem parecer incríveis e inabaláveis aos olhos dos outros, enquanto que quem está do outro lado percebe rapidamente o transbordar de dores de cotovelo ou as frustrações profissionais por trás de status venenosos e dos cheios de 'Foda-se, nada mais me abala.'
Todos temos maus momentos, e acredito que o melhor seria nos recolhermos do que expormos ainda mais algo que era pra ser só nosso, e tornar nossas fragilidades tão aparentes. Ou tornar aparente o que queremos que as pessoas acreditem que somos! Assim como todos temos nossos momentos de euforia... Mas além do ditado realista "Não grite sua felicidade alto pois a inveja tem sono leve"quem tenta ser feliz o tempo todo, para ficar provando a todos, só mostra que infelizmente está perdendo tempo, ao invés de estar realizando algo que a fizesse verdadeiramente feliz. Ou manter as aparências virou o objetivo de todo mundo, e motivo real de felicidade e eu que não me atualizei ainda?

Só acho que se a viagem incrível, o 'rolê sensacional com os parças', ou sua ida ao motel não é suficiente para te deixar satisfeito consigo mesmo a ponto de sobrar tempo para se preocupar com as impressões alheias, talvez seja hora de revisar sua vida e tentar descobrir o que realmente te satisfaz.
Quer divulgar? Divulgue. Porém pelo que pude observar a era digital está deixando o limite entre 'compartilhamento' e 'exposição desnecessária' cada vez menos distinguível.


E pra não perder meu costume de uma finalização sucinta, na qual empresto palavras de escritores que eu acho que já disseram muito bem o que eu tentei dizer com um longo texto... Cito uma escritora que está no hall da fama de 'Escritores do momento, das frases soltas' das redes sociais, e que eu adoro:
" A privacidade deixou de ser um bem valioso: passamos a viver aos gritos, fazendo poses, citando frases bombásticas. Excedemos no tom, e barulho demais cansa. Festa é bom de vez em quando. E festa toda noite é coisa de gente triste. A vida mundana, ela mesma, é que tem que ser uma farra diária."


"Banalizamos o verbo, somos todos apaixonados pelo que podemos consumir. Quantos ainda são apaixonados pela vida?" (Martha Medeiros)




P.S. Esse texto é fruto de longos meses de observação, e é apenas minha (nem tão humilde) opinião. O que não significa que eu pretenda que ela seja, ou que ela possa ser considerada um parâmetro para alguém além de mim ;*

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