sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Serelepe.

Eu acordei, levantei, peguei silenciosamente o note, sentei na cama, coloquei os óculos, enviei um email e resolvi escrever aqui.
Poderia escrever que estou com vontade de pizza de pepperoni e sorvete de negresco. Que tenho vontade de sair e correr, ou viajar. E também de voltar a dormir e de ganhar um abraço.
Escrever que eu queria um mimo (rs). E que me sinto constantemente tão mais feliz, do que triste, apesar de tudo nem sempre ser como eu quero. Apesar da dor no ombro que to agora.

Mas não foi por isso que acordei. E acho que nem por isso que comecei a escrever.
O real motivo? Um pesadelo.
No início achei que era um sonho, mas depois descobri que era um pesadelo. Acordei e vi que era "apenas" um pesadelo, mas, daí lembrei que sonhos as vezes não são apenas sonhos. Existe algo por trás deles. E gosto de arrazoar a esse respeito. Sobre motivos, sobre o subconsciente que sonha, sobre o tempo, sobre... sei lá. Invencionices.

Resolvi escrever aqui pois há tempos não escrevo. E agora já sei que escrever me faz bem. Publicar talvez não, mas escrever faz.
São muitos os temas sobre os quais já me propus a escrever, e deixei passar. Alguns até comecei, em rascunho, mas acabei por jogar fora. E não sei se algum dia vou me firmar ao propósito de levar esse blog como algo sério, ou como apenas uma alternativa. Se terei a disciplina de discorrer sobre algo a que me proponha, e de escrever sempre.

Só o que sei é que esses tempos tenho refletido muito. Sobre muitas coisas. E venho compreendendo várias outras tb. Mas tenho vivido tempos tão corridos, que não tive oportunidade de decidir sobre coisas triviais.
Mas não é que eu ande sem tempo pra mim. Tenho, felizmente, dedicado muito tempo a mim, ultimamente. E, consequentemente, tb as coisas e pessoas que me são valiosas. É só que os desejos e os objetivos são tantos, e tão diversos e contraditórios, que não tenho conseguido realizar todos.

Há dias em que desejo que o tempo voe e chegue logo 2011, pra acabar com a ansiedade sobre o que vou conseguir concretizar até a "passagem do ano", e matar a curiosidade sobre uns pormenores também.
Mas há ainda aqueles dias em que desejo que tudo passe lentamente. Ou que o tempo pare. Pra que eu possa aproveitar. Viver segundo por segundo, reviver, sentir tudo novamente... Há também aqueles em que nem acredito no que fiz, no que fizeram, no que me aconteceu ou no que ouvi. Ou ainda aqueles em que permaneço embasbacada, por qualquer detalhe, e nem penso ou sinto. E nem vejo o tempo passar.

O cotidiano é assim. Serelepe. Algumas vezes nos furta, em outras, nos presenteia.
Pode nos furtar tempo de conversar, de amar, de sorrir, de chorar, de realizar... e de tantas outras coisas, e só faz isso por saber que nos dará a oportunidade de reclamar no futuro, sobre o que perdemos, mas que no fundo nem deveríamos lamentar. Há tempo suficiente de reconhecermos o valor das coisas antes de perdê-las. E se o desejo de não perder fosse tanto, não teríamos nos permitido perder. (É apenas mais uma teoria...)
E o cotidiano também nos presenteia. Com companhias, novidades, lugares, caminhos, oportunidades, sons, sensações... Nos reapresenta predileções ou nos traz coisas até então desconhecidas ou mesmo desprezadas. E que, depois de ganhas, assim, de surpresa, passam a ser admiradas. Ou até mesmo perseguidas.

E os sonhos, são serelepes como o cotidiano. Porém mais intensos e efêmeros.
Aparecem de repente. Expressam algo. Nos fazem sentir como se fosse verdade, e quando a felicidade plena parece ter chegado, ou a dor é tanta que parece se tornar insuportável, acordamos como num estalo. E o que fica é o desejo de que o sonho se torne, ou não se torne jamais, verdade.

Um comentário:

DANADINHOO.zL_s2_PAM disse...

Com o devido acato, solicito a vossa senhora que nos informe o se não tem outro horário, além das 03:59 da manhã, para postar.

Muito bom o texto. Gostei muito.