segunda-feira, 27 de julho de 2015

Entropia.

Fazemos o que tem de ser feito, e a natureza sempre flui para onde deve seguir.

Nós temos escolha, pensamos, desistimos, nos preocupamos, repetimos... Já a natureza apenas flui, inevitavelmente. E nossa vida segue esse fluxo natural inescapável, apesar de toda e qualquer tentativa oposta aplicada diariamente por nós.

Resistência. Nós resistimos ao que é, pois temos a nossa disposição os mais variados cenários mentais do que deveria ser.
Deveria ser, mas não é. Mas deveria. Então eu queria... Eu quero. Logo, não posso me permitir fluir de acordo com essa maré de absurdos dissonantes com minhas projeções. E então me resta agir, espernear, pedir, mandar, solicitar, sofrer, questionar...

Fugir.
Fugimos do inevitável, e em vez de desenvolvermos meios para lidar com o que é, preferimos lutar pelo "e se". E não travamos uma batalha focada no presente/futuro, lutamos pelo "se" do passado. Desejamos tão ardentemente que as coisas não tivessem sido como foram, e não sejam como são, que nos esquecemos de guardar energia para as coisas que serão.

É apenas nos instantes do momento presente que podemos construir e alterar os caminhos da nossa vida. Não projetando para agir no futuro e nem lamentando o passado, apenas e tão somente agindo no presente.

A força desintegradora da natureza não permite que nada permaneça inalterado, não há sob a terra nada que seja fixo ou permanente pelo tempo de uma vida, de qualquer uma das criaturas que passam por aqui. O segredo, talvez, seja deixar que a força natural das coisas leve, derrube, desfaça e transforme tudo que há para ser transformado e permita que a energia de todas essas coisas seja reaproveitada ali adiante para construir mais situações, coisas e pessoas impermanentes.

Mudanças, resistências, permanências... Aceitação.
Só podemos lidar com aquilos que conhecemos, e para conhecer é preciso aceitar. Acolher a realidade para transformar.

As coisas são como são, as pessoas são quem elas são, e assim como só podemos oferecer aquilo que possuímos, tudo só pode ser da maneira que é.

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"O passado já se foi, o futuro não existe, ainda deve vir. O presente é a única coisa que você tem, e por isso é um presente."

domingo, 31 de maio de 2015

Unguento

O tempo é como o vento, leva todos os lamentos...
Dos dias frios fica a saudade, dos quentes algum tormento.

Saudades do que vi, imaginei ou senti. Não apenas do que vivi.
Projetei cenários, simulei, cri.
Esperei, contruí, desmorei... Desejei, mas não parei por aqui.

Desconstrução, reformulação, alguma condescendência...
Um ou dois copos, vinho, suco ou água benta.
De toda forma o líquido faz movimentar a correnteza.

Correnteza dirigida pelo vento que, nem notei, já se encarregou da minha tristeza.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ornar.

Saltos ornamentais, cotidianos mentais.
Saltos e alguma perseguição.
Confusão e muita resignação.
Desconhecimento, emburrecimento e falta de treinamento.

Usar as palavras com a atenção que elas exigem, conhecê-las todas... Antônimos, sinônimos, acrônimos, atônitos...

Buscar o que já está ultrapassado, e reinventar. Atualizar, só que não. rs
Abreviar, atenuar, modificar até extenuar.

Quem não encontraria diversão em ler um dicionário?! Ou quem encontraria? Acho que encontrei.
Ainda há tanto a descobrir e tanto a esquecer. Imaginar, recriar, deduzir, amadurecer...

Um livro a acrescentar, tomar emprestado, devolver, não estragar. Expor, repetir, reutilizar, doar.

Ornou?
Ornei.
Adorei, vou comprar.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ano novo?

Tempo, tempo, não tenho tempo.
Atrasado ou adiantado... Só sei o que está marcado.

O tempo como medimos é invenção, artifício humano, pura ilusão.
Sem eletricidade provavelmente acompanharíamos o ritmo das galinhas, regulados por puro capricho da melatonina...

Estar sempre atarefado, agitado, regulado... Nem sempre é proveitoso.
A ocupação acalenta o ego, seu fruto é, muita vezes, um engodo.

Perder o tempo ou o ganhar, parece justo assim classificar.
Porém enquanto altercamos a vida está aí, o mais razoável, para mim, é apenas usar.